Morre o arquiteto Joaquim Guedes | PiniWeb

Arquitetura

Morre o arquiteto Joaquim Guedes

Ex-professor da FAU-USP e presidente licenciado do IAB-SP, arquiteto se destacou por sua crítica ferrenha ao formalismo

Rafael Frank
28/Julho/2008

Divulgação IAB-SP
O arquiteto Joaquim Manoel Guedes Sobrinho, 76 anos, morreu atropelado no dia 27 de julho (domingo). O acidente ocorreu por volta das 20h em frente ao seu apartamento, na avenida Nove de Julho, em São Paulo. O motorista responsável pelo atropelamento fugiu.

Segundo boletim de ocorrência registrado no 15º Distrito Policial do Itaim Bibi, Guedes atravessava a avenida, próximo à esquina com a Rua Groenlândia, quando foi atingido por um veículo. Os dados do carro não foram anotados por testemunhas. A polícia pedirá imagens para a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) e à segurança de edifícios próximos para tentar visualizar a placa do veículo.

Guedes foi professor da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Universidade de São Paulo) e chegou a lecionar na Escola de Arquitetura de Estrasburgo (França) nos anos 70. Entre seus prêmios estão o "Colar de Ouro" do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) em 2003, comenda máxima do órgão, e o principal Prêmio de Urbanismo-Projeto em 2002, também do IAB, para o novo CEASA de São Paulo. Na  1ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo (1965), o arquiteto recebeu o prêmio internacional para Habitação individual.

Ferrenho crítico do formalismo, o arquiteto procurava atender às questões do cotidiano dos usuários de seus projetos. Entre seus trabalhos mais notórios estão o Plano Piloto de Brasília, apresentado ao Concurso de 1957; o Plano Urbanístico Básico de São Paulo (1970); o planejamento das Cidades Novas de Marabá (1973) e Barcarena (1979), no Pará, e Caraíba (1976), na Bahia. Também de autoria do arquiteto são o projeto para o Parque de Tecnologia Avançada em Milão e o projeto para o Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Joaquim Guedes se tornou alvo de polêmica ao assumir a presidência do IAB-SP no começo de 2008 por meio de liminares. A participação de sua chapa no processo eleitoral, e até mesmo sua entrada no IAB-SP para tomar posse foram apenas possíveis por meio desses instrumentos legais. No começo de junho, o arquiteto havia pedido afastamento do instituto para concorrer a uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo. Com o falecimento de Guedes, a presidente em exercício Rosana Ferrari assume o cargo.

O velório ocorre nesta segunda e terça-feira na FAU-Maranhão, localizada na Rua Maranhão, 88, Higienópolis, São Paulo. O funeral ocorre às 16h do dia 29 de julho (terça-feira) no Cemitério do Araçá, Av. Dr. Arnaldo, 666, Consolação, São Paulo.

Acervo Pessoal
"Joaquim Guedes sempre levou uma vida austera e produtiva. Eu o considerava um maquis [membro de guerrilha rural francesa que lutou contra a invasão alemã durante a II Guerra Mundial]  da arquitetura brasileira, sempre trabalhando com todas as armas. Entre elas estava a cabeça, os projetos e textos sempre foram elaborados e os considero um patrimônio. O conceito que mais me chamou atenção em tantos anos de trabalho foi o do Instituto de Matemática da USP em meados de 1960. Ele, infelizmente, não foi executado e seria ao lado da FAU. Em vez disso, foi feito um edifício sem novidades. Enfim, ele vai fazer falta."
Miguel Pereira, arquiteto

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