Barragem da Usina Hidrelétrica Mauá é executada com 630 mil m³ de CCR com método rampado | PiniWeb

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Barragem da Usina Hidrelétrica Mauá é executada com 630 mil m³ de CCR com método rampado

Em fase de conclusão, obra no Rio Tibagi ainda terá pista de rolagem para conectar as cidades de Telêmaco Borba e Ortigueira, no Paraná. Veja vídeo

Ana Paula Rocha
20/Janeiro/2011

A construção da Usina Hidrelétrica Mauá, localizada no Rio Tibagi, entre os municípios de Telêmaco Borba e Ortigueira, no Paraná, já está em fase final. A usina de médio porte terá potência instalada de 361 MW, sendo 350 MW na casa de força principal e mais 11 MW na secundária, que é implantada junto à barragem para aproveitar a vazão sanitária.

"A barragem já está 90% pronta, só faltam 50 cm de concreto da margem esquerda, cerca de 10 m entre a barragem da margem direita e o vertedouro e a pista de rolamento na superfície da barragem que vai ligar os municípios de Telêmaco Borba e Ortigueira", conta Ricardo Rothstein, engenheiro civil do Departamento de Gestão Técnica de Obras da Copel (Companhia Paranaense de Energia). "Já na casa de força a etapa civil está praticamente pronta, faltando somente a montagem da parte eletromecânica mesmo. Todos os túneis e os condutos estão prontos", completa.

Considerada o ponto mais importante da obra, a barragem construída com CCR (Concreto Compactado com Rolo) terá 745 m de comprimento na crista e 85 m de altura máxima e vai permitir a formação de um reservatório de quase 84 km de superfície. Para a sua construção, foi necessário fazer o desvio do Rio Tibagi por meio de dois condutos escavados em rocha, um com 314 m e outro com 360 m, além da construção de ensecadeiras nos dois lados da barragem, conhecidos como montante e jusante. Somente com esse procedimento, é possível fazer a limpeza, escavação e regularização do trecho localizado no leito do rio sem a presença de água.

"Concluída essa etapa, já é feito o concreto de regularização em cima da rocha, que serve como fundação para a barragem. Não tem nenhuma ancoragem entre a estrutura e a rocha, a barragem só está assentada em cima", afirma Rothstein. Feito o concreto de regularização, partiu-se para a execução do CCR, que foi lançado por caminhões basculantes, espalhado com a retroescavadeira e compactado sete vezes com rolo compressor, sendo seis vezes vibrando e uma não.  "Até alcançar o topo, a barragem tem degraus de 2,40 m de altura. Então, no total, são oito camadas de 30 cm de CCR para cada degrau da barragem", lembra o engenheiro.

Marcelo Scandaroli
Ainda em conclusão, barragem é o grande destaque da obra

O CCR foi executado por meio do método rampado, de origem chinesa. Com ele, limita-se o tamanho da área de espalhamento e compactação do concreto e, consequentemente, o intervalo de tempo entre camadas sucessivas, permitindo o lançamento constante de camadas de pequeno volume e minimizando o uso de argamassa colante. Além disso, nesse método, as camadas são colocadas com pequena inclinação de 10% para permitir e facilitar o acesso do rolo de compactação.

"É uma distância muito grande para se lançar uma camada inteira na horizontal para só depois subir a fôrma, perde-se muito tempo. Com o método rampado, a praça de lançamento inclinada do CCR é limitada em 24m devido ao degrau de 2,40m ter inclinação de 10%, e se fosse horizontal, essa distância poderia ser maior. No final, o espaço entre esses blocos é vedado com borracha especial de PVC extrudado, com alta resistência à tração e grande deformabilidade", explica Rothstein.

Para levar a água do reservatório até a casa de força aproveitando uma queda bruta de 120 m, foi construído um círculo composto por tomada d''água de alta pressão, túnel adutor escavado em rocha com 1.922 m de comprimento, câmara de carga e três túneis forçados no trecho final.

A casa de força será abrigada e contará com três turbinas do tipo Francis, cada uma com 119,5 MW de potência. O projeto prevê, ainda, a interligação da UHE Mauá ao sistema elétrico nacional por uma subestação operando em 230 KV e duas linhas de transmissão. O circuito mais extenso terá 108 km e vai passar por Telêmaco Borba, Curiúva, Ventania, Arapoti e Jaguariaíva. A outra linha, com 43 km de extensão, partirá de Telêmaco Borba e chegará a Figueira passando por Curiúva e Ibaiti.

O consórcio responsável pela operação da usina é composto pela Copel e Eletrosul. Já o consórcio construtor é formado pela VLB Engenharia, J. Malucelli Construtora de Obras S/A, Sadefem Equipamentos e Montagens S/A e Andritz Hydro Inepar S/A. A UHE Mauá deve entrar em operação comercial em setembro de 2011.

Marcelo Scandaroli
Método rampado aumentou a produtividade da obra por possilitar a execução das camadas de CCR em áreas menores

Marcelo Scandaroli
Barragem vista do lado da montante e os dois condutos utilizados para desviar o rio Tibagi

Marcelo Scandaroli
Piso do túnel de adução foi feito em CCR e paredes revestidas com concreto projetado

Marcelo Scandaroli
Três túneis forçados levarão a água à casa de força

Marcelo Scandaroli
Pequena Usina Hidrelétrica aproveitará vazão sanitária da barragem

Marcelo Scandaroli
Casa de força principal foi construída com fôrmas deslizantes, concreto armado e cobertura metálica

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